Um projeto social desenvolvido em Ipiranga do Norte, no interior de Mato Grosso, tem revelado jovens atletas e ampliado a presença feminina no atletismo. A iniciativa levou um grupo de meninas, com idades entre 11 e 17 anos, para vivenciar a Corrida de Reis, em Cuiabá, uma das provas de rua mais tradicionais do país, e já colhe resultados que vão além da iniciação esportiva. Algumas atletas já alcançaram índices e participações em nível nacional.
As jovens fazem parte de um trabalho de base que começou de forma simples e hoje reúne mais de 30 atletas, em sua maioria mulheres. Dentro desse grupo, cerca de 10 a 15 meninas, a partir dos 10 anos, participam do projeto de iniciação ao atletismo, que envolve treino, acompanhamento técnico e incentivo contínuo.
“Começamos com um grupo pequeno, apenas duas mulheres treinando, e hoje temos um projeto estruturado, com atletas adultas e um trabalho social voltado às meninas”, explica Graciely de carvalho, nutricionista e integrante da assessoria esportiva que acompanha o grupo.

Primeiros passos e incentivo do treinador
Entre as adolescentes, algumas já participam pela segunda ou terceira vez da Corrida de Reis, enquanto outras tiveram a primeira experiência neste ano. O início no esporte, segundo elas, veio principalmente pelo incentivo do treinador.
“Foi o professor que chamou a gente para começar”, relataram as jovens, que treinam regularmente em Ipiranga do Norte e viajam para competir tanto em provas da região quanto em eventos maiores do estado.
Apesar de ainda não competirem oficialmente em algumas categorias por conta da idade, a participação em grandes provas faz parte do processo de formação. “A gente traz elas para sentir o clima, o público, a emoção da corrida de rua. Isso ajuda muito na evolução e na motivação”, explica Graciely.
Resultados além da corrida de rua
Além da Corrida de Reis, as meninas participam de outras competições, como a Corrida do BOP, que oferece percursos menores, permitindo a participação das mais novas. Nesses eventos, o grupo já conquistou troféus por faixa etária.
O projeto também atua no atletismo de pista, com provas de 2 mil e 3 mil metros, e já alcançou marcas nacionais com algumas atletas, mostrando que o trabalho de base tem potencial para formar nomes competitivos no cenário esportivo.
Mais do que medalhas, o projeto aposta no esporte como ferramenta de transformação. O acompanhamento envolve não apenas treino físico, mas também orientação nutricional e disciplina, contribuindo para a formação pessoal das jovens.
“É uma construção. A corrida de rua é uma porta de entrada, mas o objetivo é formar atletas e cidadãs”, resume a nutricionista.
Maior corrida do Centro Oeste
Mais de 15 mil pessoas participaram da edição deste ano, reunindo atletas profissionais e amadores de diferentes idades e cidades. A Corrida de Reis, realizada pela TV Centro América, em parceria com o Sesi, é a maior prova do Centro Oeste e também considerada uma das provas mais tradicionais do país.
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