Produtores de milho em Mato Grosso têm lidado com um cenário de maior pressão de pragas e redução da eficiência de biotecnologias. A avaliação é da pesquisadora em fitotecnologia da Fundação Mato Grosso, Daniela Dalla Costa, que alerta para o avanço de uma das principais pragas da cultura, a lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) e para a necessidade de revisão das estratégias de manejo.
Segundo a pesquisadora, apesar da safra passada ter apresentado alta produtividade por conta das condições climáticas favoráveis, o aumento da incidência de pragas elevou os custos de produção. “O produtor precisou fazer mais aplicações fitossanitárias e utilizar moléculas inseticidas específicas com maior frequência. Isso impacta diretamente a rentabilidade”, explica Daniela.
Apesar das preocupações ambientais, a pesquisadora reforça sobre a responsabilidade do produtor rural com o meio ambiente. ” O produtor não usa produto químico porque gosta, mas porque precisa e desde que estejam corretamente posicionados, os inseticidas podem ter impacto mínimo sobre o meio ambiente”, afirma.
Os casos de ataques de lagartas-de-cartucho na última safra surgiram inicialmente na Bahia e se multiplicaram por diversas regiões de Mato Grosso, principalmente a região centro-sul, devido ao menor volume de chuvas, condição que favorece a praga e reduz o potencial produtivo do milho.
O produtor rural e engenheiro agrônomo Marcelo Vanquevicius planta dois mil hectares de milho em Itiquira (MT) e tem se preparado para iniciar a atividade em Coxim (MS). Na safra passada, a lagarta-do-cartucho não foi a sua principal preocupação, mas mesmo assim tem intensificado o planejamento. A estratégia da propriedade é reforçar o estoque de produtos e ampliar o uso de controle biológico.

“O fungo diplodia, favorecido pelo ambiente mais úmido, foi o principal desafio fitossanitário da última safra pra nós. Além disso, também tivemos percevejo barriga-verde e cigarrinha que tem uma grande recorrência na região, mas tem sido controlada. Aproveitamos parte dos defensivos que sobram na soja, mas compramos itens específicos para o milho. Estamos bem preparados”, afirma.
Estratégias
Para Daniela, é preciso que o produtor rural adote algumas estratégias, como a proteção da lavoura na rotação das culturas. “É necessário fazer esse controle ainda na cultura da soja, de onde a praga pode migrar para o milho e também para o algodão”.
Ela destaca ainda que o uso de biotecnologia não dispensa outras práticas de manejo, como a adoção de áreas de refúgio — parcelas sem tecnologia Bt que ajudam a retardar resistência das pragas.
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