Mato Grosso deve ampliar novamente a área plantada de milho na próxima safra, impulsionado pela rentabilidade e pela crescente demanda interna. O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) estima cerca de 7,4 milhões de hectares destinados ao cereal, um avanço entre 140 mil e 150 mil hectares em relação ao ciclo anterior.
Segundo o coordenador de Inteligência de Mercado do Imea, Rodrigo Matheus Silva, apesar do aumento de área, a produção deve ficar abaixo do recorde registrado na safra 2024/25, quando o estado colheu 55 milhões de toneladas, apoiado em produtividade histórica.
“Quando olhamos para as médias históricas, essa próxima safra não deve repetir o recorde. A estimativa inicial aponta para cerca de 51 milhões de toneladas”, explicou Silva. “A queda chama atenção, mas está muito mais relacionada ao tamanho excepcional da safra anterior do que a um problema de campo”.
O consultor da Agroconsult e produtor rural, André Debastiani, destacou que a última safra foi beneficiada por chuvas prolongadas, que garantiram boa produtividade mesmo para quem plantou mais tarde. Para o próximo ciclo, projeta-se uma expectativa de crescimento, mas o cenário ainda é de incertezas, já que o plantio deve começar somente em janeiro de 2026.
“A maior parte dos insumos já está comprada, mais de 70%. O produtor fez sua parte em termos de investimento: solo, sementes, genética e manejo. Agora precisamos que o clima colabore”, afirmou Debastiani.
Ele reforçou que, embora o plantio comece em 2026, cerca de 20% da produção já está comercializada, reflexo de boas oportunidades de mercado. “O mercado está rodando bem, e o produtor tem aproveitado esses bons momentos”.
Segundo o Imea, mesmo com custos elevados e preços abaixo do esperado pelos produtores, a alta produtividade tem sido determinante para manter a rentabilidade da cultura. “O tripé da rentabilidade é produtividade, custo e preço. O produtor tem conseguido manejar muito bem a produtividade, o que compensa parte desses desafios”, afirmou o coordenador da instituição.
Armazenagem continua sendo o ponto crítico
Apesar do bom momento, o estado enfrenta um problema estrutural: a falta de capacidade de armazenagem. Na última safra de soja, o déficit chegou a quase 50%. “Ainda dependemos muito do fluxo imediato — colhe, embarca e despacha. Investir em armazenagem é caro, e com juros altos, o retorno pode levar de oito a nove anos”, ressaltou Silva. “Quem tinha milho estocado no início do ano, quando o preço disparou, fez ótimos negócios. Mas isso não é realidade para a maioria”.

Evento técnico – Pesquisadores, produtores rurais e profissionais do agronegócio participam nesta quinta-feira, do 6º Encontro Técnico do Milho, em Cuiabá, realizado pela Fundação MT. O propósito é orientar sobre as transformações da cadeia do milho para as próximas safras e trazer análises consolidadas para facilitar a tomada de decisões.
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