Associações que representam o setor pecuário brasileiro veem com preocupação a decisão da China de salvaguarda às exportações de carne bovina, a partir da quinta-feira, 1º de janeiro. Apesar do Ministro de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Carlos Fávaro, afirmar que o Brasil está “preparado para intempéries comerciais”, entidades ressaltaram mudanças no mercado, reorganização de fluxos, risco ao processo produtivo e possíveis impactos negativos no setor.
A medida que vale a partir desta quinta-feira (1º) determina que o governo chinês passa a adotar cotas anuais para a compra de carne bovina de países estrangeiros, incluindo o Brasil, maior fornecedor do produto ao país. Dentro do limite estabelecido, as importações serão taxadas em 12%. Já os volumes que ultrapassarem a cota sofrerão uma sobretaxa de 55%. As medidas terão validade de três anos.
Atualmente o Brasil exporta 30% de toda a sua produção de carne bovina e a China é o principal destino do produto. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) apontam que em 2025, o Brasil exportou 1,72 milhões de toneladas de carne bovina somente para a China, equivalente a 51% de toda a exportação de carne brasileira, e acumulando uma receita de U$ 7 bilhões com o país asiático.
Em nota conjunta, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) afirmaram que a medida altera as condições de acesso ao seu mercado e impõe uma reorganização dos fluxos de produção e de exportação.
“A ABIEC e a CNA seguirão acompanhando a implementação das medidas, atuando diretamente junto ao Governo Brasileiro e às autoridades chinesas para reduzir os danos que essa sobretaxa causará aos pecuaristas e exportadores brasileiros e para preservar o fluxo comercial historicamente praticado”, diz a nota.
A Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) manifestou profunda preocupação e afirmou que “a medida representa um risco material e imediato ao desempenho das exportações brasileiras e ao equilíbrio da cadeia produtiva nacional”. Além disso, a associação acredita que a medida terá um efeito direto sobre a balança comercial, podendo se estender negativamente na geração de renda, emprego e investimentos no campo.
“É uma medida que pode funcionar como fator de desestímulo para o pecuarista investir mais na atividade, ampliando a produção”, afirma a Abrafrigo.
Impactos à produção de carne em MT e MS
A Associação dos Criadores do Estado de Mato Grosso (Acrimat) relembrou o tarifaço dos Estados Unidos que também afetou o mercado. A instituição acredita que qualquer incidente sanitário ou econômico impacta negativamente no bolso do pecuarista, que é o maior prejudicado e, portanto, aguarda um posicionamento do Governo Federal.
“Os grandes exportadores brasileiros têm condições de pulverizar esse excedente sobretaxado para outros mercados sem prejudicar o pecuarista brasileiro com manobras especulativas. Esperamos também que o governo federal proteja e defenda também quem produz e não somente quem exporta”, disse em nota.
Guilherme Bumlai, presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul (Acrissul), pede atenção a uma possível jogada dos chineses para baratear o custo do produto.
“Nossa preocupação é que ajustes comerciais pontuais não sejam utilizados como pretexto para pressionar negativamente o preço da arroba paga ao produtor. O mercado chinês precisa da carne brasileira, e acreditamos que ajustes naturais ocorrerão ao longo do tempo”, disse.
Proteção ao mercado interno chinês
Segundo agências chinesas, a medida visa proteger e fortalecer o mercado pecuário interno, garantindo o aumento no estoque de vacas reprodutoras e incentivando os produtores chineses na criação de gado que tem sido lucrativa no país.
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