Em pronunciamento em rede nacional neste domingo (30), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou as mudanças no Imposto de Renda que passam a valer em janeiro e afirmou que os indicadores de desigualdade no país estão no menor patamar já observado. A fala buscou detalhar os efeitos da nova lei que isenta trabalhadores com ganhos mensais de até R$ 5 mil e cria uma cobrança adicional sobre contribuintes de renda mais elevada.
A norma, sancionada na quarta-feira (26), integra um conjunto de ações defendidas pelo governo como essenciais para ampliar a renda disponível das famílias. O presidente citou programas sociais recentes e disse que a combinação dessas iniciativas contribuiu para reduzir a distância entre os estratos de renda, embora o país ainda registre forte concentração de riqueza.
Quanto o trabalhador vai economizar
Lula apresentou simulações para mostrar o alívio no bolso. Pelos cálculos divulgados, um profissional que recebe em torno de R$ 4,8 mil deixará de recolher aproximadamente R$ 4 mil ao longo de um ano. O governo estima que esse aumento de renda disponível provocará um impacto de cerca de R$ 28 bilhões na economia ao longo de 2025.
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Quem vai pagar mais
Para compensar a perda de arrecadação, a lei cria uma alíquota extra, de caráter progressivo, destinada a pessoas com renda anual superior a R$ 600 mil — universo estimado em 140 mil contribuintes. O objetivo é ampliar a cobrança sobre aqueles que concentram maiores rendimentos, grupo que hoje paga percentuais efetivos considerados bem inferiores aos dos trabalhadores assalariados.
Segundo dados apresentados pelo governo, profissionais de alta renda acabam recolhendo, na prática, cerca de 2,5% de Imposto de Renda, quando consideradas fontes como lucros e dividendos. Assalariados, por sua vez, têm carga média entre 9% e 11%.
Tabela segue sem correção
A nova lei altera apenas a faixa de isenção e os descontos aplicados às rendas mais baixas. A estrutura atual da tabela, com alíquotas que chegam a 27,5% para quem ganha acima de R$ 7.350, permanece sem atualização. Técnicos do governo sustentam que uma correção completa exigiria mais de R$ 100 bilhões por ano, o que inviabilizaria a mudança neste momento.
Desde o ano passado, a administração federal já havia garantido isenção para quem recebe até dois salários mínimos, mas a medida alcançava apenas a base da tabela.
Compromisso político
Ao encerrar o pronunciamento, o presidente afirmou que a revisão do Imposto de Renda é apenas a primeira etapa de um processo mais amplo, voltado a reduzir assimetrias e ampliar oportunidades. Ele disse que o país ainda convive com forte disparidade entre o topo da pirâmide e a maioria da população, mas que o governo pretende aprofundar ações para reequilibrar essa estrutura.
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