Cidades com economia forte no agronegócio atraem trabalhadores mais jovens, enquanto municípios que perdem essa população em idade produtiva envelhecem mais rápido.
Esse é o principal achado do estudo Envelhecimento populacional em Mato Grosso e sua relação com indicadores demográficos e econômicos, desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) nos municípios do estado.
Publicado na revista científica Hygeia, o estudo mostrou que áreas com maior dinamismo econômico, especialmente ligadas à produção agrícola, acabam “rejuvenescendo” a população por receberem migrantes em busca de emprego e renda.
Já municípios com menor oferta de trabalho e menor atração econômica veem os jovens irem embora, o que aumenta proporcionalmente o número de idosos.
Resultados
Com base em dados do Censo de 2022, o estudo aponta que 11,7% da população mato-grossense tem 60 anos ou mais, mas esse percentual varia bastante de uma cidade para outra. Enquanto municípios como São José do Povo têm mais de 26% da população idosa, outros, como Sapezal, não chegam a 5%.
As regiões Centro-Sul e Sudeste de Mato Grosso concentram os municípios mais envelhecidos, formando áreas onde a população idosa cresce de forma acelerada. Em contrapartida, o Médio Norte e o Noroeste, fortemente ligados ao agronegócio, apresentam índices mais baixos de envelhecimento, reflexo da chegada constante de pessoas em idade produtiva.

Outro ponto destacado pelos pesquisadores é que crescimento econômico, por si só, não garante melhor qualidade de vida para a população idosa. O estudo identificou que municípios com maior Produto Interno Bruto (PIB), especialmente da agropecuária, nem sempre apresentam melhores indicadores de envelhecimento, reforçando que renda e desenvolvimento precisam vir acompanhados de políticas sociais e de saúde.
Conclusões
Diante desse cenário, os autores defendem que Mato Grosso precisa adotar políticas públicas específicas para cada região, levando em conta as diferenças demográficas e econômicas. Saúde, mobilidade, moradia, assistência social e planejamento urbano aparecem como áreas estratégicas para garantir envelhecimento ativo e saudável, principalmente nos municípios que já enfrentam o avanço rápido da população idosa.
O estudo conclui que tratar o envelhecimento de forma uniforme no estado pode aprofundar desigualdades. Para os pesquisadores, compreender como o agronegócio, a migração e a economia influenciam a composição etária é essencial para preparar Mato Grosso para um futuro com mais idosos e desafios regionais distintos.
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