O consultor de mercado internacional, Aldo Barrigosse, diz que o acordo Mercosul-União Europeia não é apenas uma redução tarifária; é a integração do Mato Grosso do Sul (MS) a um dos mercados mais exigentes e de maior poder aquisitivo do planeta.
Segundo fontes diplomáticas europeias, os embaixadores dos 27 países do bloco concordaram, de forma provisória, com a maior parte do conteúdo do acordo negociado com Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. A formalização do posicionamento dos países ainda depende de confirmação escrita, prevista para ser concluída até o fim do dia no horário de Bruxelas.
Aldo Barrigosse divide os impactos do acordo Mercosul-União Europeia em quatro pilares:
- Impulso à Agroindústria: do “campo” para a “gôndola”
Atualmente, MS já é um gigante exportador. Com o acordo, o estado deixa de apenas vender commodities e passa a ter competitividade para vender valor agregado. Isso significa eliminação de tarifas e criação de cotas maiores que permitirão que a indústria de proteína animal (bovina e de frango) do estado acessem nichos de mercado “premium” na Europa.
Benefício também para a celulose, área em que Mato Grosso do Sul é o maior exportador do mundo. Segundo o consultor, o acordo Mercosul-União Europeia facilita a entrada de subprodutos de papel e embalagens, aproveitando a tendência europeia de substituição do plástico.
- Sustentabilidade como Ativo: A Europa exige rastreabilidade
“Empresas de MS que já investem em “Carne Carbono Neutro” terão uma vantagem competitiva gigantesca, transformando a preservação ambiental em lucro” , afirma Barrigosse.
- Revolução no consumo e gastronomia local
A redução gradual de impostos de importação (zerando em até 15 anos) impactará diretamente o custo de vida e o comércio varejista em cidades como Campo Grande, Dourados e Três Lagoas. Produtos que hoje são artigos de luxo, como vinhos, queijos e azeite, devido à alta carga tributária, se tornarão mais acessíveis. Isso fomenta o setor de serviços, bares, restaurantes e o turismo gastronômico no estado.
Ele ainda diz que o acordo aumenta a relevância da Rota Bioceânica.

“Com o aumento do fluxo comercial com a Europa, MS se consolida como um ponto estratégico de distribuição e processamento de produtos que entram e saem do continente sul-americano”, diz.
- Segurança jurídica e Padronização
Aldo Barrigosse analisa que, para o cidadão e o empresário, o maior benefício a longo prazo é a padronização. O acordo obriga o Brasil a seguir normas sanitárias e de qualidade internacionais. Isso significa que o produto que o sul-mato-grossense consome em casa passará a ter o mesmo rigor de qualidade exigido em toda a Europa.
“Observo que Mato Grosso do Sul é um dos estados que mais tem a ganhar ‘dentro da porteira’, pela eficiência produtiva, e ‘fora da porteira’, pela sua localização geográfica estratégica. O acordo Mercosul-União Europeia coloca o estado na vitrine global da economia verde”, afirma.
O consultor finaliza dizendo que, com o acordo Mercosul-União Europeia, a indústria de MS poderá importar tecnologia agrícola e industrial europeia com custo reduzido, aumentando a produtividade no campo.